Uma noite no Saara

Eu poderia até começar a nossa história como aquela que conta das 1001 noites… Epa! Não, foi só uma noite mesmo, mas pra lá de inesquecível. Iriamos passar uma noite no deserto! Sentia-me o próprio Indiana Jones. Mega ansiosa e ao mesmo tempo apreensiva quanto aos mistérios e perigos que nos aguardava…

Estávamos hospedados no Rainbow Hostel, em Marraquech, alías ótimo hostel, bem localizado e barato. Lá mesmo fechamos um pacote com a equipe de turismo parceira do hostel, o valor de 800 Dirham (equivale aproximadamente a € 80) e no dia seguinte bem cedo uma van nos aguardava para dar início a essa tão esperada aventura.

A van lotada de turistas, cada um de um canto do mundo. O silêncio durou apenas as primeiras horas, depois parecia mais uma grande família. Para nossa sorte um Marroquino viajante estava como turista na van conosco e nos salvou de algumas roubadas. Como por exemplo, exigir que a comida viesse farta ou exatamente como foi pedida. Traduzir algumas informações…

Seguimos por uma das estradas mais perigosas do mundo . A estrada Dades Gorges, cheias de curvas sinuosas que se estende sobre um desfiladeiro ao longo do rio Dades nas montanhas Atlas. http://world-onnews.com/10-estradas-mais-perigosas-do-mundo/

Infelizmente o passeio incluía algumas paradas não tão interessantes, e que nitidamente era puro comércio, mas já que estávamos ali… Fomos visitar uma “fabrica” do óleo de Argan.

Passamos a primeira noite em um Hostel, super bonito, mas localizado no meio do nada…  na verdade era a metade do caminho para o deserto. Como já estávamos enturmados, nos reunimos na sacada do hostel à noite para descontrair e trocar experiências… e só esse contato com tantas pessoas diferentes já havia valido a pena.

No dia seguinte, logo cedo, continuamos a saga até o centro da Aldeia de Merzouga. Nessa cidade, estávamos aos “pés” do deserto. E não muito longe já avistamos os camelos, quer dizer, dromedários. A propósito tenho que confessar, os bixinhos são mesmo explorados, alguns mais magros, com as orelhas mutiladas (uma espécie de marcador, provavelmente para diferenciar as cáfilas). Fomos recepcionados pelos berberes, como são designados o povo livre que vive no deserto, na verdade “berbere” é o nome dado a um conjunto de povos do norte da África falantes de dialetos com base na língua berbere, que tem sua origem afro-asiática.

Aos poucos os berberes foram nos acomodando em cima dos dromedários e quando estavam todos a postos seguimos em fila indiana adentro do deserto.  Foram 1he30min “camelando” pelas dunas, e haja bunda para aguentar.

Já no final da tarde avistamos no horizonte as tendas do nosso acampamento. Se o cenário já era cinematográfico, naquele momento, ao pôr do sol, nós vivíamos um verdadeiro sonho. Tapetes coloridos espalhados pela areia, algumas tendas de fundo e uma bem grande ao centro na qual seria servida nosso jantar. As mesas improvisadas dentro das tendas iluminadas por candelabros. É gente, coisa de filme mesmo.  Os berberes nos serviram cuscuz marroquino com tajine. Alias, durante toda nossa estadia no Marrocos, quando se falava em comida típica, lá vinha o cuscuz com tajine. Mas aquele era especial, nós estávamos no grandioso Deserto do Saara. Lá pelas tantas, eu (Drê) e o Kito, mas alguns poucos amigos, pegamos nossos pratos e fomos comer na mesa do lado de fora da tenda. Se a iluminação dos candelabros já enchia os olhos, a iluminação da lua nos roubava a voz.  Isso mesmo, ficamos sem palavras diante de tanta beleza.

Mais tarde, já espalhados pelos tapetes na areia, os berberes, com seus turbantes e vestimentas típicas, como o thobe (aquela espécie de camisola cumprida) nos envolveram pelo som de sua música. E quando percebemos estávamos dançando, soltos, à vontade, todos na mesma sintonia, uma vibe boa demais. Alguns curiosos aprendiam tocar os instrumentos musicais típicos, como eu, que até comprei a castanhola marroquina depois. Outros aprendiam as letras das canções… e tudo se completava e transformava aquele instante num momento único.

Deitamos em um dos tapetes, e aos poucos os sons ficaram longe e adormecemos. Mas como o “filme” era do Indiana Jones precisávamos de um pouco de emoção à nossa história. Fomos acordados por uma tempestade de areia. Tivemos que sair correndo para dentro das tendas, foi uma loucura, nossos corpos literalmente cobertos de areia, o cabelo num estado lastimável… hehehe. De dentro das tendas escutávamos o barulho do vento e sentíamos a vibração das tendas no choque com as areias trazidas pelo vendaval.

Não sei se as coisas acalmaram ou se o cansaço venceu, mas adormecemos novamente. Ainda de madrugada fomos acordados pelos berberes e saímos montados nos nossos dromedários pela escuridão afora.

No caminho de volta fomos brindados pelo nascer do sol e a sensação de que havíamos vivido algo mágico.

Anúncios

Uma resposta para “Uma noite no Saara

  1. Mais uma narrativa dez da dupla, os fotos ficaram maravilhosa!!!!!!!
    Imagina todo aquele cenário ao vivo e a cores. Divino!!!! Parabéns, vocêis superam sempre.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s